Na semana em que os principais bancos do país divulgaram os maiores lucros de sua história, os bancários traçaram para o emprego no setor um prognóstico nada animador: diminui o número de postos de trabalho e aumenta a cobrança sobre quem fica.
Excesso de horas extras, pressão exagerada para o cumprimento de metas e sobrecarga de obrigações estão entre as reclamações da categoria, que tem hoje menos da metade dos representantes que tinha no final da década de 80. "Os bancos aumentam sua lucratividade e precarizam o trabalho", afirma Carlos Cordeiro, secretário-geral da Confederação Nacional dos Bancários.
Os bancos, por sua vez, dizem que ser bancário está a cada dia mais interessante. Segundo a Febraban (Federação Nacional dos Bancos), o tempo médio de casa para se tornar gerente caiu de 15 anos para 5 anos. "A carreira no banco é fantástica em termos de velocidade. Há planos de carreira que rapidamente levam a posições relevantes e bem remuneradas. O nível de exigência de desempenho é alto porque a responsabilidade também é alta", pondera o superintendente de relações do trabalho da Febraban, Magnus Apostólico.
Para a entidade, não existe sobrecarga de trabalho. E o argumento para defender esse ponto de vista é justamente a tecnologia, a principal responsável pela redução histórica do número de empregos no setor. Desde 2000, a quantidade de bancários no país oscila entre 390 mil e 400 mil. "Se não há redução significativa dos quadros e a automação é cada vez maior, como é que estamos sobrecarregando alguém?", questiona o superintendente.
Na opinião dos bancários, a sobrecarga se traduz principalmente no desrespeito à jornada de trabalho de seis horas diárias. Os bancos são contrários à manutenção da jornada de seis horas (direito garantido por um decreto de 1933) e afirmam que é impraticável obedecer à restrição em suas centrais administrativas, onde as horas extras são praxe, e os salários, para serem competitivos com os de outros setores, consideram oito horas de trabalho.
Bancários e instituições financeiras são favoráveis à ampliação do horário de funcionamento das agências. Segundo cálculo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), se a jornada for respeitada, o funcionamento das 9h às 17h em todos os bancos criaria 161 mil empregos no país.
No HSBC, entretanto, a iniciativa pioneira no Brasil de manter 164 agências funcionando das 9h às 18h não criou vagas. Segundo o banco, que afirma respeitar a jornada de seis horas, a medida simplesmente evitou a demissão de 250 funcionários que, no sistema antigo, não eram mais necessários.
(Folha Online - 28/02/05)
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